De bicicleta, porque quem chega assim não chega como quem quer conquistar, mas como quem compartilha, como quem visita os seus, sem pretensões.
Sentado em minha mesa, no fundo da sala, assim me imaginei, visitando povos, conhecendo terras, festejando a vida ao som de flautas com os filhos dos incas nas encostas das Cordilheiras.
Saciamos nossa sede num oásis inesperado do Saara. Após a colheita de arroz, sentamos sobre o calcanhar no chão da sala para tomar chá.
Quando chegou a noite, e que noite! Trazendo a brisa gelada não sei de onde, nos vestimos de urso e ficamos juntos compartilhando o calor, esperando ansiosos a passagem das horas, dos dias, daquela longa noite, para vermos o sol ressurgir, refletindo sua luz naquele imenso tapete branco que cobre o norte do norte.
Lembrei da brisa gelada vinda de não sei onde. Pensei no vento que cruza os mares e os continentes. Onipresente, assim como a água que se encontra no céu, na terra e abaixo.
Pensei na semente que germina, onde quer que caia, e nas nuvens que flutuam em qualquer espaço aéreo. Todos estes, indiferentes às imaginárias linhas divisórias que demarcam terras, levam a todos os cantos o que temos de maior valor: a VIDA.
Com a liberdade inviolável do pensamento, imaginei homens do norte, do sul, do oriente e do ocidente, sem bandeiras e nem partidos, unidos numa só língua: COMPREENSÃO.
Abri a agenda e assinalei a data... BREVE.
Utopia? Não.
Expectativa certa do estabelecimento de uma nova ordem, uma nova terra, um novo mundo, um mundo sem fronteiras!!!
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Na Rede
Entrou na rede é peixe
é baiano em horas de folga
é solitário arriscando um flerte
é atriz ditando moda
é agulha de costureira
é limão galego é limão taiti
é cabelo de cozinheira
é MP3 de uma canção guarani
é amor ianomâmi
é cansaço de alpinista
é falsa ajuda antifome
são fotos para turista
é ladrão atrás de senha
é hacker pichando portal
é fantasia de cinema
são cenas de festival
é ministro marcando presença
para não ficar esquecido
é um pedido com urgência
para encontrar alguém desaparecido
é transmissão direta
de um transplante de coração
é segredo ultra-secreto
enviado por um satélite espião
são explosões de mísseis
lançados por forças de paz
quem entra na rede amigo
nem sempre sabe o que faz
é baiano em horas de folga
é solitário arriscando um flerte
é atriz ditando moda
é agulha de costureira
é limão galego é limão taiti
é cabelo de cozinheira
é MP3 de uma canção guarani
é amor ianomâmi
é cansaço de alpinista
é falsa ajuda antifome
são fotos para turista
é ladrão atrás de senha
é hacker pichando portal
é fantasia de cinema
são cenas de festival
é ministro marcando presença
para não ficar esquecido
é um pedido com urgência
para encontrar alguém desaparecido
é transmissão direta
de um transplante de coração
é segredo ultra-secreto
enviado por um satélite espião
são explosões de mísseis
lançados por forças de paz
quem entra na rede amigo
nem sempre sabe o que faz
Os Becos
A avenida é a avenida
Os becos são os becos em torno da avenida
A avenida é referência
Os becos, não se acham, nem nome eles têm
No mapa estão em números, um atrás do outro
Não se tornaram homenagem a nenhum célebre morto
Mas não são desconhecidos desta gente que transita pelas
Ruas e vielas da minha vila periférica
Jovens vão pra escola
Senhores, pro trabalho
Senhoras vão e vem do açougue ao armazém
Levam e buscam os pequeninos, num contínuo vai-e-vem
Crianças jogam bola, camisa contra sem
Passarinhos fazem ninhos
Cachorros se acasalam
Gato corre atrás de rato
Bola de gude no buraco
No céu, guerra de pipas
Rabiolas coloridas
Água da chuva lava o chão
E quando vem mais forte dá um medo, chama a atenção
O carteiro nos conhece, "seu Souza, é pro senhor"
As vizinhas trocam bolos
Tudo feito com amor
Se nós não vamos às compras, elas vêm de caminhão
Pamonha, frutas, peixes, cobertor
Tudo ali bem no portão
A avenida é a avenida
A avenida é referência
Na avenida tem mais trânsito
Mas nos becos tem mais vida
Os becos são os becos em torno da avenida
A avenida é referência
Os becos, não se acham, nem nome eles têm
No mapa estão em números, um atrás do outro
Não se tornaram homenagem a nenhum célebre morto
Mas não são desconhecidos desta gente que transita pelas
Ruas e vielas da minha vila periférica
Jovens vão pra escola
Senhores, pro trabalho
Senhoras vão e vem do açougue ao armazém
Levam e buscam os pequeninos, num contínuo vai-e-vem
Crianças jogam bola, camisa contra sem
Passarinhos fazem ninhos
Cachorros se acasalam
Gato corre atrás de rato
Bola de gude no buraco
No céu, guerra de pipas
Rabiolas coloridas
Água da chuva lava o chão
E quando vem mais forte dá um medo, chama a atenção
O carteiro nos conhece, "seu Souza, é pro senhor"
As vizinhas trocam bolos
Tudo feito com amor
Se nós não vamos às compras, elas vêm de caminhão
Pamonha, frutas, peixes, cobertor
Tudo ali bem no portão
A avenida é a avenida
A avenida é referência
Na avenida tem mais trânsito
Mas nos becos tem mais vida